segunda-feira, 2 de julho de 2018

Passeio pela Índia, seus costumes e tradições... um romance lindo de Dinah Jefferies

“Antes da Tempestade", de Dinah Jefferies


Tenho um fascínio especial pela Índia, sua arte, história, costumes, religiosidade e tradição. Adoro e me instiga todo aquele universo rígido e cheio de rituais. Esse livro nos convida a um belo passeio por esse país incrível.

Com o estilo leve e bem descritivo da autora, que ela já demonstrou em sua outra obra imperdível – “O perfume da folha de chá” (clique aqui para acessar o post), impossível não se colocar no lugar dos personagens dessa história encantadora: um romance lindo que desafiou regras e tradições. 

Eu sempre me vejo nos enredos dos livros que leio. Parece loucura, ou bobagem até, mas sempre me penso em que núcleo eu estaria, onde eu me encaixaria, como eu agiria nas situações apresentadas. Sempre vou projetando as ações e reações, principalmente, nos romances! Sou uma apaixonada incurável, não adianta.


Quando Eliza – a inglesa, descobre que o seu amado Jay – o príncipe indiano, já a conhecia desde a infância, me arrepiei. Como não viajar e trazer essas coincidências das obras de ficção para a nossa vida real? Lógico que já me transportei na história... lembrei do fato de que minha mãe quando estava me gestando foi professora do meu marido na pré-escola. Eu sei que não tem importância nenhuma isso e até parece bobagem, mas eu, como eterna apaixonada e a louca por histórias de amor, já me encantei!

Fiquei divagando que o destino das pessoas está entrelaçado e escrito desde muito tempo. Voltando ao caso do livro, restou bem claro que a história de Jay e Eliza estava predestinada, era pra eles resgatarem aquela vivência infantil e outras coisas mais.

Seguindo a história, quando a mãe do príncipe - a Marani, diz à Eliza que ‘lá na Índia, os casamentos nada tem a ver com romance e sim são uma estratégia que melhore a sorte e a condição de suas famílias’, foi um banho de água fria no meu entusiasmo. Claro, o romance ‘proibido’ não seria tão fácil e simples assim.

Mas, a partir daí a história ganhou uma força a mais, pois agora eu queria saber como eles fariam pra driblar essa dificuldade, afinal, a inglesa viúva seria aceita pela realeza indiana?
As viúvas não são bem vistas na Índia, elas representam a desonra de sobreviver ao marido, como se a vida do marido dependesse do sucesso dos cuidados da esposa apenas.

Esse comportamento, com relação às viúvas, descrito no livro não me chocou, pois eu já tinha lido muitas obras que retratam bem essa questão, mas mesmo assim, é triste saber que a mulher tem apenas a finalidade estar ao lado do marido e de cuidá-lo, sendo que na sua falta, ela deverá ser queimada ou até devolvida para sua família raiz.

Lá na Índia, as mulheres, de um modo geral, não são vistas com igualdade aos homens. Em várias passagens do livro a gente sente que o pensamento dos indianos – e inclusive da Marani, é de que ‘todas as mulheres estão à procura de um marido’. A crítica social é grande no sentido de mencionar várias vezes que as mulheres não devem trabalhar e casar. Mulher é apenas para cuidar da vida da família.

Além disso, as mulheres teriam como dever cuidar do casamento, mas os homens podem ter concubinas. As traições, portanto, faziam parte do jogo.

A obra não é triste e esses detalhes culturais são necessários para nos ambientarmos no tempo e no espaço onde a história é contada. Além disso, a forma poética como a escritora nos envolve com o enredo é deliciosa, quando ela traz ‘o perfume do deserto pela manhã’ a gente pensa que se inspirar mais profundamente irá sentir!

Outra parte do livro que me deixou um pouco apreensiva, mas, repito, era indispensável para a ambientação, é descrição da pobreza e do modo com que o povo vive. Por outro lado, também traz a descrição da riqueza, das joias, das roupas, dos xales de seda bordados a ouro... é um livro muito rico de detalhes que nos fazem perceber os meandros da vida na Índia.

Numa cultura em que prega que uma mulher que se envolve com um homem é aplicada pena de morte e que nenhuma mulher no palácio ousaria mostrar o rosto a um homem que não o seu marido, foi difícil para nossa protagonista se adequar às regras e viver o romance recém iniciado com o príncipe. Aliás, estava difícil até o dia-a-dia como fotógrafa, pois até para andar pelo palácio precisava de companhia e se sentia vigiada.

O livro além de contar uma história linda, nos faz refletir sobre o destino e sobre os costumes e tradições seculares. Quem determina nosso futuro? Nossas ações, ou já há algo pré-determinado? E as tradições? Devem ser modernizadas ou devem ser mantidas? As noções de carma afetando o futuro, seja nessa vida, ou na próxima, é algo que também nos faz pensar.

Leitura super gostosa, leve e apaixonante! Recomendo!

terça-feira, 12 de junho de 2018

"Provence", de Bridget Asher: uma história de amor e de recomeços


Quando eu li a sinopse desse livro já fiquei interessada e ao ver a capa então, fiquei apaixonada! Lindo demais! Ao ler a obra... fiquei fascinada e comecei a ‘economizar’ o livro pra viver mais tempo naquele clima delicioso!

A vida de Heidi se resumia em manter viva a memória de seu marido Henry, bom pai e marido exemplar. Tudo que ela fazia era para preservar a sua memória e de certa forma me parecia que ela tentava incluí-lo em todas suas atividades, como se ele ainda estivesse vivo.

O livro é apaixonante e traz passagens que são dignas de parar a leitura pra respirar e curtir o momento:

“Não era um casamento. Era amor. Algumas pessoas conseguem um ou outro. Já outras conseguem os dois ao mesmo tempo.”

Manter a vida normal e igual ao período que Henry estava vivo estava cada vez mais impossível e era necessário enfrentar a vida real e ajudar seu filho com a mania de limpeza que se manifestou. Ao aceitar que algo muito importante mudou em suas vidas e que era preciso seguir com a vida, Heidi conseguiu não só se ajudar, mas ajudar ao seu filho e a sobrinha Charlotte, que sempre fora problemática.

Porém para que Heidi pudesse enxergar que a vida continuavae que poderia ser bela, apesar da ausência de Henry, foi preciso dar chance ao inesperado – o que só aconteceu quando aceitou viajar para a casa da família em Provence, na França. Nessa casa muitas histórias de amor se revelaram e surpreendentes coincidências foram se abrindo.

Essa viagem, que de início pareceu ser um problema pra Heidi, visto que ela teria grandes obras a fazer, se revelou numa agradável evolução pessoal. Essa obra é uma história de recomeço, amor e esperança diante da perda, em que uma pequena casa na zona rural do sul da França parece ser a responsável por curar corações partidos há anos.

O enredo nos faz refletir sobre as perdas, mudanças e medos em nossas vidas. Sabemos que as mudanças são as únicas certezas em nossas vidas, mas como aceitá-las? Como agir frente a uma perda, ainda mais quando muda completamente nossas vidas? Sabemos que é importante reagir e enfrentar, mas na hora, ficamos paralisados. Talvez pelo medo do desconhecido ou até mesmo pela insegurança do que virá.

Não que eu reaja bem e aceite facilmente as mudanças – bem pelo contrário. Detesto mudanças e sofro com isso. Até mesmo um jantar desmarcado já me tirou do sério, mas tento aprender dia após dia.

Todas as leituras edificantes que tenho feito ao longo de minha vida têm me feito refletir muito sobre isso. Nada é para sempre e a vida é em ciclos. Um ciclo não é melhor nem pior que o outro, é apenas diferente. Não podemos deixar os medos nos paralisarem, eles devem ser alertas para termos cuidado e agir com coragem e determinação.

Precisamos estar abertos e dispostos a nos adaptar. A vida é bela em todas suas fases, com todas suas nuances. Além disso, o que parece ruim a um primeiro olhar, pode ser, e na maioria das vezes é, uma grande chance de recomeço que se revela uma fase melhor ainda do que a de antes!

Livro maravilhoso que eu recomendo!


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Fé ou Ciência?


Já faz algum tempo que li “Origem”, de Dan Brown. Eu comprei logo que foi lançado e li logo em seguida, pois adoro o estilo ágil e com conteúdo baseado em pesquisas históricas que ele utiliza. Porém, admito: não foi meu livro preferido, mas achei muito válidas as dúvidas que ele provoca.

Adoro os questionamentos que Dan nos propõe. Suas pesquisas nos envolvem e nos fazem pensar o mundo de outro jeito, a história sob outro prisma. As perguntas que ele sugere nessa obra a respeito da nossa origem e do nosso destino (de onde viemos? para onde vamos?) são muito interessantes, mas, um pouco angustiantes (ao menos pra mim). Talvez por mexer numa seara de crenças e fé, ficou um pouco difícil pra eu aceitar a criação do mundo sem Deus e abraçar a ciência como única causadora da vida. Pra mim, particularmente, até a ciência depende de Deus – mas isso é opinião minha.

Me fascina o modo de Dan Brown escrever, pois para contar sua história, e questionar a nossa história ele nos leva por uma viagem maravilhosa. Sempre se utiliza de destinos lindos - dessa vez foi a Espanha, começando com o Museu Guggenheim de Bilbao, depois Barcelona. Numa mistura de fatos históricos ocultos, extremismo religioso, obras de arte moderna e símbolos, a obra é ótima e nos prende pelo desejo da descoberta que parece que mudará nossas vidas e responderá todas nossas perguntas.

Com um enredo que promete desvendar os segredos da nossa origem e da nossa existência, a obra nos envolve do começo ao fim como sempre - bem ao estilo de Dan Brown! Eu não consegui largar o livro até chegar ao final. Porém, quando achei que uma grande resposta colocaria fim às perguntas fundamentais da existência humana que durante toda obra afloram em nosso íntimo, fiquei um pouco frustrada.

Achei as ‘respostas’ um pouco controversas e incapazes de fazer mudar tudo que já sabemos a respeito de religião e ciência (não vou contar o deslinde da história). Além disso, pra quem tem fé será um pouco difícil aceitar totalmente a teoria apresentada pelo futurólogo Edmond Kirsch – aluno de Robert Langdon. Como já mencionei, acredito que até a ciência depende do Criador.

O que mais me deixou cautelosa (e até mesmo, temerosa) foi a demonstração de como a ciência e a tecnologia têm tomado uma dimensão enorme em nossas vidas – e como cada vez será ainda maior. O cenário trazido nessa obra me pareceu que, num futuro próximo, o mundo será pouco amoroso, nada acolhedor e totalmente regido por máquinas e inteligência artificial – o que vai de encontro com tudo que acredito, ou seja, que sem amor, empatia e humanidade não teremos progresso e sim destruição.

Para mim, a revelação não foi uma grande descoberta que mudará para sempre o papel da ciência. Acho que mesmo que tais descobertas sejam reais, nada muda o papel de Deus – ao menos para mim.

Eu não consigo imaginar outro modo de origem da vida sem o Criador. Talvez pela minha fé eu não consiga, sequer, vislumbrar isso, mas não pensem que eu sou uma religiosa fanática fechada ao debate. Sou Cristã ‘comum’, o que quero dizer que não sou estudiosa das religiões, nem praticante fervorosa. Tenho minha fé e acredito mesmo que sem fé nada somos. Porém, respeito todos pontos de vista e professo minha fé e minha crença do meu jeito, com amor e respeito. Acredito que Deus é um só, mesmo que mude a religião. Penso mais ou menos assim: não importa o caminho (religião), Deus é o destino de amor. Sou católica, frequento espiritismo e sou yogue simpatizante do budismo.  Acredito que o importante é fazermos o bem e nos sentirmos bem.

Apesar de todas essas colocações, friso que a obra de Dan Brown é daquelas imperdíveis. Ele mantém seu estilo delicioso, culto e eletrizante, nos convida a questionamentos importantes e que nos fazem pensar no mundo, na fé, na religião e na ciência. Recomendo!

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Amor pelos livros 'de' história 'com' história: "O Retrato", de Charlie Lovett


Um livro feito para aqueles que amam os livros” – essa frase está na contracapa do livro “O Retrato”, de Charlie Lovett e nunca foi uma frase tão apropriada.

Logo que iniciei a leitura pensei: “esse livro é para quem ama os livros e os estuda”, pois a quantidade de fatos históricos envolvendo Shakespeare, inúmeras datas e alusão a documentos históricos eram tamanhas que pensei que seria mais uma leitura técnica do que aquelas que são minhas preferidas: romances com pano de fundo uma história real.

Porém, eu estava enganada e o livro se revelou exatamente – ou ainda mais, do que eu esperava: um romance lindo com uma história real como base. 

O romance de Peter e Amanda é de aquecer o coração e algumas frases são de parar a leitura para poder absorvê-las. Claro que Shakespeare inspirando dispensa comentários, mas impossível não adorar ler algo tão amoroso: 

Chama-me de amor, e serei rebatizado...”

A obra me arrebatou e eu tentei ‘economizar’ o livro para viver mais tempo com aquela história de amor – tanto do amor de Peter e Amanda, quanto o amor deles com os livros.

Outro fato que me encantou profundamente é que eu me reconheci em algumas passagens. Peter é vendedor de livros e sonhava em encontrar o ‘Santo Graal’ dos livros, ou seja, um livro que sequer se sabia da sua existência. Claro que não tenho essa pretensão, mas gosto de guardar e cuidar dos meus livros, sou bem exigente com o cuidado e manuseio deles... sem contar nas primeiras edições e livros autografados, que reluto em emprestar. Além disso, há uma passagem que Peter restaura uma obra que eu fiquei completamente absorta e querendo aprender essa técnica tão delicada.

Em um trecho em especial, Peter desiste de vender os volumes de livros raros que encontrou. Os compra e doa em memória de sua esposa para a Sala Devereaux (nome da sala em homenagem à avó de Amanda) – entendi perfeitamente esse gesto, pois já perdi as contas de quantos livros que já li há anos, mas agora os encontro em sebos e sinto uma necessidade de adquiri-los para tê-los na minha biblioteca. Só quem ama livros vai me compreender!

A leitura me prendeu até o final e o amor aos livros ‘de’ história, ‘com’ história - já que a obra gira em torno de livros raros, autenticação e conservação deles me emocionou. Penso exatamente como o protagonista Peter: 

“...é minha paixão. Sei que pode parecer bobagem para algumas pessoas, mas é a maneira como quero mudar o mundo. Unir livros e pessoas que vão amá-los e preservá-los para a próxima geração.”

Adorei essa obra e recomendo. Incrível como o amor e a cumplicidade de Peter e Amanda perdura mesmo após a morte de Amanda. A dedicação dele com as obras raras o salva da tristeza e nos leva a uma fascinante viagem nesse mundo encantador. Com uma dose de suspense viajamos junto com Peter e aprendemos muito sobre esse mundo delicioso dos livros.


terça-feira, 8 de maio de 2018

Lya Luft, 'Perdas e Ganhos'

Acabei de ler um livro maravilhoso da Lya Luft: ‘Perdas e Ganhos’ e com ele tenho me questionado várias coisas... vários sentimentos, várias atitudes e relações. O livro não contém crônicas, nem é de ficção, é uma ‘conversa autobiográfica’ e poderia ser uma espécie de manual de respeito a si mesmo e aos  outros.

Num relato limpo, simples e tocante, Lya Luft nos convida a pensar nos comportamentos que temos, na busca da felicidade a qualquer custo, na passagem do tempo, na chegada da velhice, da adaptação da nossa vida às diversas fases que vivemos, em tudo que ganhamos e que perdemos na caminhada chamada vida. Nos faz perceber que perder nem sempre é ruim, sempre se ganha algo em troca, nem que seja aprendizado e amadurecimento. A obra é um brinde ao amadurecimento consciente, sem pudores, muito respeito e com bom senso.

Essa leitura me fez pensar no comportamento das pessoas, no jeito como conduzem suas vidas, como se expõem através da internet, como tratam os demais e por aí vai. Será que as pessoas acham bonito, ou até invejável, aquilo que publicam nas redes sociais? Fotos fazendo biquinho, ou com expressão sexy, ou de horror, ou sei lá de que sentimento, só para chocar?

Na verdade a autoestima da gente tem que ser elevada, e o amor próprio é o único amor incondicional, mas daí passar a publicar fotos ridículas, com legendas ainda mais idiotas? Aí não, né? Um pouco de consciência e bom senso não faz mal pra ninguém.

Sem me fazer de rogada: adoro compartilhar fotos nas redes sociais, mas estou falando daquelas publicações que são apenas exibicionismo, em que o número de ‘curtidas’ é o que interessa! Adoro publicações simples do dia-a-dia, comidas, passeios, observações, enfim, simplicidades do cotidiano. Acho que elas espelham a nossa vida não só porque publicamos quase tudo que estamos fazendo, mas porque nelas ‘seguimos’, ‘curtimos’, falamos da gente e daquilo que sentimos. Penso que as redes sociais revelam quem realmente somos.

Quando deletamos ou bloqueamos alguém nas redes sociais isso significa que tiramos essa pessoa da nossa 'vida real'. Seja pelo motivo que for, tudo está interligado, por isso vejo que as falsidades nessas tecnologias também demonstram o verdadeiro caráter das pessoas. Penso que as redes sociais são um ótimo termômetro da índole do ser humano, são um espelho da nossa vida. O que convém, de que forma e em que momento convém!

E os demais comportamentos? Mentir, enganar, ter preconceito, grosserias, falta de respeito e educação... a que ponto chegamos: usamos pessoas para satisfação do ego.

Cuidado com aquelas pessoas que se intitulam amigos, mas só ‘nos usam’, que só lembram-se da gente quando precisam. Amizade é troca, nunca abuso. Amizade é verdade, nunca mentira.

Publiquem o que quiserem, afinal as redes sociais são suas, mas reflitam: será que o que você está publicando não está denegrindo sua própria imagem? Não seja pretensioso! Simplicidade é a chave da felicidade. Seja verdadeiro e leal em suas relações, isso faz bem pra você mesmo em primeiro lugar.

O menos é mais. Respeitar todas as fases da vida é indispensável. Se expor com comportamentos reprováveis só traz tristeza e solidão. A palavra chave é amadurecimento...  da alma, principalmente!

Ser feliz é simples e não precisa de plateia.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Pequenas grandes mentiras


Odeio mentira. Quem não odeia? Porém, quem de nós nunca mentiu alguma coisinha, mesmo boba que fosse? Acredito que todos nós já usamos aquele famoso: ‘está tudo bem’, quando na verdade a vida está um turbilhão de emoções ou uma enxurrada de problemas - o que é necessário até por questão de preservação, porque seria muito chato, e insuportável até, sermos tão sinceros a ponto de descrevermos nossas vidas a todo momento e para qualquer pessoa. Porém, mentiras sérias, sim, essas abomino. Sou tão avessa a mentiras que não consigo conviver com pessoas que mentem habitualmente, que usam as mentiras como meio de se vangloriarem, esconder suas falhas ou de vitimizarem. Mas aí já entramos em outro campo. O campo da mentira doentia que busca esconder os erros dolosamente.

Entrei nesse assunto ‘mentiras’ porque acabei de ler um livro – maravilhoso, diga-se de passagem: “Pequenas grandes mentiras”, de Liane Moriarty. Essa obra é um passeio pelo cotidiano de todos nós: amigas que se unem para ajudar outra amiga um pouco deslocada, desabafos sobre o passado, pequenos fatos ‘escondidos’ das amigas por vergonha, pequenas mentiras que parecem inofensivas e que, supostamente, não mudariam a vida de ninguém. Mas, no decorrer da obra percebemos que – exatamente como nas nossas vidas, algumas mentiras têm suas consequências e podem afetar alguém. Afinal, quais mentiras são inofensivas? Quais são necessárias? Será que um fato que alguém prefere esconder não mudaria ou influenciaria a vida de outra pessoa?


Adorei uma passagem em especial do livro em que uma das personagens diz (não com essas palavras) que não mais irá mentir, mesmo que os demais a ajudassem a sustentar a mentira para salvá-la de algo pior, pois já mentiu tempo demais na sua vida e nada mais poderá afetá-la. Nessa passagem em especial, se trata de uma mulher que passou a adolescência inteira vendo seu pai agredir sua mãe, mas aprendeu a fingir e a mentir que tudo sempre estava bem pelo ‘bem da família’. As marcas dessa mentira e desse fingimento refletiram em sua vida adulta e, por isso essa escolha de não mais fingir, nem mentir. Achei incrível o poder libertador que essa passagem nos traz. Falar a verdade – mesmo que no momento pareça terrível, no futuro traz uma paz que não tem preço.

Gosto muito da narrativa de Liane Moriarty: ágil que nos prende do começo ao fim, sempre nos faz pensar e nos colocar no lugar do outro. Nessa sequência de histórias que se interligam, o livro elucida a história de um grupo de amigas/conhecidas e narra fatos e acontecimentos que todos nós presenciamos e sentimos no nosso dia-a-dia de forma comum e que preferimos esconder: um desafeto, uma relação agressiva, um amigo manipulador, um casal perfeito que na verdade não há nada de perfeito, a opção sexual de alguém... sentimentos e as reações que de uma forma ou de outra interferem em nossas vidas e nas nossas atitudes como um todo. Importante o questionamento que a autora traz nos meandros de sua narrativa a respeito do que é importante ser dito, o que deve ser mudado e o que deve ser contado.

O livro é na verdade um espelho da nossa sociedade: todos têm problemas, todos vivem da melhor forma possível driblando os percalços da vida e nem sempre deixando isso à mostra. Isso é preservação e faz parte da boa convivência até. A forma como a autora nos faz ver que esses pequenos fatos e essas pequenas omissões (ou mentirinhas) do nosso cotidiano podem ter consequências graves é de uma delicadeza ímpar. O importante é não cair na cilada de mentiras sérias e guiar a vida através de condutas saudáveis e que promovam o bem de todos.

Em resumo: não existe vida perfeita, mas existem pessoas evoluindo e fazendo o melhor que podem para ser felizes! Esse é o verdadeiro sentido da vida e onde reside a suposta perfeição: ser feliz com o que se tem e da melhor forma que conseguir!





sexta-feira, 2 de março de 2018

Dica de leitura: "Entre Irmãs”, de Frances de Pontes Peebles


Há alguns dias terminei de ler a obra “Entre Irmãs”, de Frances de Pontes Peebles. Apesar de a leitura ter terminado, o enredo não saiu da minha cabeça. A história me tocou profundamente e me deixou com os sentimentos à flor da pele. O livro, além do entretenimento, é um convite à reflexão.

A escritora é brasileira, hoje radicada em Chicago, então não vou negar que meu coração palpitou de orgulho e admiração. Inclusive o livro foi adaptado e virou filme e minissérie. Um sucesso!

O livro é um épico que conta a história dramática e emocionante de duas irmãs no sertão de Pernambuco numa época de grandes transformações políticas de nosso país: década de 1930 – era Vargas.

Adorei a forma leve que a escritora delineou a história real do nosso Brasil com a história das irmãs Luzia e Emília. Achei muito interessante a forma sutil como a escritora conseguiu mostrar a sociedade da época, os costumes, as regras ditadas pela ‘aristocracia’ dos coronéis, que na verdade perduram até hoje de outra forma, mas com a mesma intensidade. Existem coisas e valores que, infelizmente, nunca mudarão: dinheiro, fama e poder sempre falam mais alto. Aparências são mais importantes do que a felicidade verdadeira. Mulheres sempre relegadas a segundo plano e educadas para fazerem um ‘bom casamento’. Filhos homens orientados a estudar e fazer fortuna. Enfim, situações que hoje até se tenta modificar, mas no fundo continuam iguais.

Luzia e Emília vivem em Taquaritinga aos cuidados da tia Sofia, que lhes ensinou o ofício de costureira. Os dramas familiares e as dificuldades não impediram que as meninas sonhassem e fossem felizes ao seu modo. Emília, sonhadora, deseja casar e mudar-se para a cidade grande. Luzia se conforma com a realidade, atura o preconceito e convive com as dificuldades de ter um braço enrijecido em consequência de um acidente numa árvore quando criança.

Porém, a vida reserva surpresas e o cangaço chega à Taquaritinga. Luzia, sem pestanejar, se une aos cangaceiros, deixando a tia e a irmã sozinhas, já que não imagina outro rumo a dar para sua vida nas condições que se encontra. Emília se casa e vai morar em Recife. Duas vidas separadas pelas dificuldades e circunstâncias, mas a trama mostra que em pensamento as duas irmãs estão mais próximas do que nunca, e isso me fascinou.

Não vou contar como a história se desenvolveu para não tirar o prazer do leitor. O que me toca nos livros é sempre o sentimento que eles deixam em nossos corações. Nessa obra, o que me marcou foi que o tempo passou, as circunstâncias mudaram, cada irmã deu rumo a sua vida, mas o amor que as uniu esteve sempre presente. Tudo que Luzia fazia, pensava na irmã e o mesmo se dá com Emília. Isso é maravilhoso, pois nota-se que o amor entre irmãos é o bem mais precioso que se pode ter e nada, nem ninguém, consegue acabar. A distância física das meninas não impediu que uma cuidasse da outra ao seu modo, da forma como era possível.

Devorei a obra sonhando com o momento em que as duas irmãs pudessem se reencontrar – e esse era o sonho delas também. O destino acaba unindo as irmãs de uma forma inusitada e emocionante. No livro, elas não se encontram fisicamente, mas de coração estão mais próximas e unidas do que nunca.

Fiquei completamente absorta com a história do sertão nordestino. Pra nós parece impossível viver naquela seca e em condições tão precárias. É muito triste saber que isso existiu, e que talvez ainda existam famílias em situações de tamanha escassez. O que mais me encantou foi perceber que apesar daquela triste realidade existia a beleza dos sentimentos que as irmãs mantinham e levaram pra vida toda. Mesmo separadas e sem conseguirem se comunicar, estavam sempre em sintonia, uma pensando na outra e, de certa forma, lutando pela outra.



P.S.: Meu livro é autografado! Adoro meus livrinhos!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Segredo do sucesso

Qual o segredo do sucesso? Trabalho? Dedicação? Talento? Sorte? Destino? Atitude?

Acredito que o trabalho, dedicação, comprometimento e atitude são indispensáveis para o sucesso, mas a sorte está intimamente ligada ao êxito.

Talento. Uma palavra de origem latina que significa a inclinação natural de uma pessoa a realizar determinada atividade. Sorte, um quase-sinônimo de destino, exibindo como principal diferença a divisão entre "boa sorte" e "má sorte”.

A concepção de sorte é profundamente enraizada no imaginário popular, interferindo na conduta dos que nela acreditam, conforme a forma em questão. Em muitas culturas, imagina-se que a sorte possa ser obtida através de artifícios mágicos, como ferraduras de cavalo, trevos de quatro folhas, amuletos, etc., confundindo-se muitas vezes com questões relativas à influência de forças do além.

A sorte também pode ser associada ao grau de contatos, ser conhecido ou ainda, conseguir “aquele empurrãozinho”, concordam? A sorte é mais do que isso tudo de imaginário popular... é aquela facilidade que algumas pessoas têm de conseguir as coisas de forma mais fácil que as outras.

Penso que sorte sem talento não adianta de nada, mas também talento sem sorte não alcança  o objetivo. Pense: do que vale alguém ter talento para determinada atividade, se dedica e trabalha duro nela, mas as portas não se abrem, as pessoas não conhecem seu trabalho, ou ainda, sequer tem a oportunidade de mostrar esse talento?

Da mesma forma se a pessoa tem sorte, mas não possui nada de talento... pode até conseguir mostrar sua arte ou ofício, as portas se abrem para ela, mas não agrada e não alcança seus objetivos da forma como é esperado.

Você já pensou nisso? Por isso eu digo que todos precisam de sorte, de oportunidades, não basta talento. Acredito que o segredo do sucesso é ter, em doses equilibradas, talento e sorte. Equilíbrio... palavra chave!


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Retomada de um sonho

Há anos tenho o desejo de escrever. Fiz esse blog há bastante tempo com esse intuito e o projeto inicial era de publicar textos com meus sentimentos e reflexões.

Comentei essa vontade e a forma como eu colocaria em prática com várias pessoas. A maioria apoiou e incentivou calorosamente e então fui em frente construindo meus textos em um formato adequado ao blog. Até o dia que uma pessoa riu de mim e desprezou meu projeto. Incrível como muitas pessoas deram força e apenas uma pessoa desdenhou a minha iniciativa, mas esse único comportamento negativo norteou minhas ações: abandonei o sonho. Prefiro acreditar que a pessoa que me 'deu um banho de água fria' não fez por mal. Fez pra tentar me proteger ou ainda, por receios que nem posso imaginar - e nem quero.

Reuni todo o material que eu já havia produzido e coloquei no lixo. Talvez porque naquele momento era assim que me sentia: um lixo também. Uma louca em ter a pretensão de publicar minhas reflexões e observações. Afinal de contas: quem eu achei que era? 

O blog seguiu com outra proposta e me alegrou muito, apesar de não atingir  o foco do que eu realmente desejava. Como vocês que acompanham o blog sabem, falo de livros e outros assuntos comportamentais que não, necessariamente, sejam textos contendo meus íntimos sentimentos. 

O tempo passou e o sonho que estava adormecido, acordou. À noite meus pensamentos fervem e os textos simplesmente vêem com uma clareza assustadora em minha mente que chega ser inacreditável. 

Sentimentos, frases, ideias, até a forma, a estrutura e a pontuação praticamente se materializam diante de mim. Entendi esses lampejos de criatividade como um chamado e talvez por isso deixei o antigo sonho acordar.

Claro que para esse processo todo de recomeçar tive muitos incentivos. Um texto aqui, outro ali, uma cutucada aqui, outra ali... mas, absurdamente, toda vez que me pego escrevendo novamente, as lembranças daquelas palavras duras voltam e fazem eco em meu ser: "ah, que boba, Lisiê!". Sim. Quatro palavras que me cortaram completamente e que até hoje rebombam na minh'alma. 

Por que atitudes negativas têm tanto poder? Por que deixamos que ações negativas tolham nossos sonhos? Medo, talvez, de sermos escrachados ou ridicularizados? Na verdade acredito que por medo do julgamento das pessoas que nos são caras. Medo excessivo e infundado de agradar? Pode ser. Insegurança? Ok, acho que foi um misto de tudo isso.

De uns meses pra cá venho tentando esquecer aquelas palavras e todas e quaisquer atitudes negativas que vivenciamos todos os dias. Tenho tentado ser mais positiva, inclusive, acreditar mais no meu potencial e, sobretudo, dar voz aos meus desejos. Talvez por isso tenho sido mais ousada. Tento experimentar mais e encarar o novo.

Talvez eu seja boba mesmo. Boba de compartilhar isso com vocês, boba de partilhar minhas reflexões com vocês. Não sei, mas boba mesmo fui por ter esperado tanto tempo para tentar. Por ter deixado que uma frase guiasse meus passos. Por ter abandonado um sonho de forma tão rápida e por algo tão pequeno.

O que sei mesmo é que estou produzindo meus textos, minhas observações. Já tenho bastante material pronto. Apenas não sei se eu estou pronta! Aos poucos espero estar e também espero ter coragem de compartilhar isso tudo... e de certa forma, me expor.

Se há algo que eu possa dizer hoje que gostaria que ficasse marcado em quem está lendo, é: não deixe que uma negação de alguém te paralise. Obedeça suas vontades e seja feliz. Ninguém melhor do que nós mesmos para saber o que nos faz feliz. Não existe certo ou errado. Existe o que nos faz bem... e se nos faz bem, fará bem aos outros.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Três livros, três autoras... mas a mesma problemática.

Acabo de ler três livros de diferentes estilos e diferentes autoras que sequer moram no mesmo continente, mas as obras me fizeram refletir sobre o mesmo tema e aspectos que há muito tempo me fazem pensar. A obrigação ou, melhor dizendo, a cobrança com a maternidade que muitas vezes deixa de ser escolha e passa a ser um dever.
Aproveito para indicar a leitura dos três livros, pois são maravilhosos, muito bem escritos e nos fazem refletir sobre esse tema importante.
No primeiro livro “A garota no trem”, de Paula Hawkins (tem o filme também), o centro da história nem é o assunto que me fez refletir, mas se você ler a obra verá que tudo girou ou foi causado por essa cobrança da maternidade que está arraigada em nossos seres. O livro conta a história de três mulheres que se entrelaçam e revelam matizes de sentimentos profundos.
Rachel, que desejava muito ser mãe, não pode e isso foi o estopim para uma crise conjugal irreversível. Megan, que teve uma gravidez indesejada e o bebê morreu num acidente terrível, tem horror à ideia de ser mãe novamente – o que causou muitos problemas em seu relacionamento. Anna teve sua filha por vontade própria e decisão do casal... mas se prestarmos atenção aos relatos nas entrelinhas, perceberemos que Anna engravidou para garantir e segurar o casamento.


O outro livro é “O amor em primeiro lugar”, de Emily Giffin, que conta a história de duas irmãs. Meredith, casada e com uma filha, tem grandes dúvidas a respeito de seu casamento e descreve as agruras da maternidade e todos os questionamentos inerentes. Como se ela se culpasse por ver essa realidade e sentir essas dúvidas, ela se corrige logo após os relatos, sempre dizendo que ‘ama a filha acima de tudo’ e blá blá blá. Não duvido disso, e acho justo ela falar o que realmente sente, pois essa coisa de idolatrar a maternidade, e só mostrar a parte boa, não está com nada e cada vez mais soa falso e ilusório, pois tudo tem o lado bom e o lado ruim.
A outra irmã, Josie, ao contrário: solteira e sem filhos, sonha com a maternidade - como se isso fosse salvar sua existência. O tema central do livro nem é a maternidade em si, mas essa discussão é um ponto alto da trama muito bem escrita por essa autora que eu, particularmente, adoro e que eu já li todos seus livros publicados.

O terceiro livro, "O Perfume da Folha de Chá', de Dinah Jefferies - livro maravilhoso que já mencionei aqui http://pimentapimenta.blogspot.com.br/2017/03/dica-de-leitura-o-perfume-da-folha-de.html também não tem como tema central a maternidade, mas traz esse acontecimento como ápice da trama e nos faz sofrer pelas escolhas da protagonista que desejou ter filhos, mas no momento do nascimento se depara com uma escolha inacreditável e dolorosa. 
Como pode a decisão de ser mãe - que deveria ser uma escolha feliz - trazer tantas dúvidas e problemas? Não que eu tenha todas as respostas, mas fica fácil ver a explicação. Porque simplesmente as mulheres se veem sem possibilidade de escolha, renegadas a segundo plano e suas vontades não são respeitadas na maioria das vezes, sendo que a maternidade é simplesmente vista como uma consequência natural e exigível para a mulher que chegou aos 30 anos ou uma obrigação para a mulher que se casou.
Estamos em pleno século XXI! Temos e podemos dar voz aos nossos desejos. O que importa é escolhermos e vivermos da forma que queremos sem se importar com o que os outros vão dizer ou se a sociedade irá nos julgar. Ninguém nasceu para satisfazer a sociedade ou cumprir alguma regra imposta e sim para ser feliz, do jeito que mais nos aprouver! 

Felicidade é tudo na vida. Somente cada um de nós saber o que é melhor e nos fará feliz. Liberdade nas nossas escolhas é o primeiro passo para a plenitude e a paz de espírito e, consequentemente, para a felicidade!