segunda-feira, 17 de abril de 2017

Três livros, três autoras... mas a mesma problemática.

Acabo de ler três livros de diferentes estilos e diferentes autoras que sequer moram no mesmo continente, mas as obras me fizeram refletir sobre o mesmo tema e aspectos que há muito tempo me fazem pensar. A obrigação ou, melhor dizendo, a cobrança com a maternidade que muitas vezes deixa de ser escolha e passa a ser um dever.
Aproveito para indicar a leitura dos três livros, pois são maravilhosos, muito bem escritos e nos fazem refletir sobre esse tema importante.
No primeiro livro “A garota no trem”, de Paula Hawkins (tem o filme também), o centro da história nem é o assunto que me fez refletir, mas se você ler a obra verá que tudo girou ou foi causado por essa cobrança da maternidade que está arraigada em nossos seres. O livro conta a história de três mulheres que se entrelaçam e revelam matizes de sentimentos profundos.
Rachel, que desejava muito ser mãe, não pode e isso foi o estopim para uma crise conjugal irreversível. Megan, que teve uma gravidez indesejada e o bebê morreu num acidente terrível, tem horror à ideia de ser mãe novamente – o que causou muitos problemas em seu relacionamento. Anna teve sua filha por vontade própria e decisão do casal... mas se prestarmos atenção aos relatos nas entrelinhas, perceberemos que Anna engravidou para garantir e segurar o casamento.


O outro livro é “O amor em primeiro lugar”, de Emily Giffin, que conta a história de duas irmãs. Meredith, casada e com uma filha, tem grandes dúvidas a respeito de seu casamento e descreve as agruras da maternidade e todos os questionamentos inerentes. Como se ela se culpasse por ver essa realidade e sentir essas dúvidas, ela se corrige logo após os relatos, sempre dizendo que ‘ama a filha acima de tudo’ e blá blá blá. Não duvido disso, e acho justo ela falar o que realmente sente, pois essa coisa de idolatrar a maternidade, e só mostrar a parte boa, não está com nada e cada vez mais soa falso e ilusório, pois tudo tem o lado bom e o lado ruim.
A outra irmã, Josie, ao contrário: solteira e sem filhos, sonha com a maternidade - como se isso fosse salvar sua existência. O tema central do livro nem é a maternidade em si, mas essa discussão é um ponto alto da trama muito bem escrita por essa autora que eu, particularmente, adoro e que eu já li todos seus livros publicados.

O terceiro livro, "O Perfume da Folha de Chá', de Dinah Jefferies - livro maravilhoso que já mencionei aqui http://pimentapimenta.blogspot.com.br/2017/03/dica-de-leitura-o-perfume-da-folha-de.html também não tem como tema central a maternidade, mas traz esse acontecimento como ápice da trama e nos faz sofrer pelas escolhas da protagonista que desejou ter filhos, mas no momento do nascimento se depara com uma escolha inacreditável e dolorosa. 
Como pode a decisão de ser mãe - que deveria ser uma escolha feliz - trazer tantas dúvidas e problemas? Não que eu tenha todas as respostas, mas fica fácil ver a explicação. Porque simplesmente as mulheres se veem sem possibilidade de escolha, renegadas a segundo plano e suas vontades não são respeitadas na maioria das vezes, sendo que a maternidade é simplesmente vista como uma consequência natural e exigível para a mulher que chegou aos 30 anos ou uma obrigação para a mulher que se casou.
Estamos em pleno século XXI! Temos e podemos dar voz aos nossos desejos. O que importa é escolhermos e vivermos da forma que queremos sem se importar com o que os outros vão dizer ou se a sociedade irá nos julgar. Ninguém nasceu para satisfazer a sociedade ou cumprir alguma regra imposta e sim para ser feliz, do jeito que mais nos aprouver! 

Felicidade é tudo na vida. Somente cada um de nós saber o que é melhor e nos fará feliz. Liberdade nas nossas escolhas é o primeiro passo para a plenitude e a paz de espírito e, consequentemente, para a felicidade!

quinta-feira, 2 de março de 2017

Dica de leitura: “O Perfume da Folha de Chá”, de Dinah Jefferies.

O meu estilo de leitura favorita é romance histórico, sagas familiares com fundo de história real. Essas obras me fascinam, então quando vi nas redes sociais esse livro com a descrição “Um homem atormentado por seu passado. Uma mulher diante da escolha mais terrível de sua vida. "O perfume da folha de chá", de Dinah Jefferies, é um drama familiar complexo e envolvente, que retrata a força do amor materno diante das mais devastadoras circunstâncias”, eu soube que seria completamente arrebatada por essa obra.

Assim que o meu livro chegou já comecei aquela inspeção corriqueira para quem é amante de livros: análise da capa, contracapa, orelha... que obra linda!! Adoro capas com o título em relevo, e esse tem algo que nunca tinha visto: o relevo não é liso e brilhoso, é opaco e áspero. Muito diferente e eu adorei! Parabéns pela linda edição!

Sempre tenho alguns livros ‘na fila’ como costumo dizer, mas essa obra passou na frente das outras, pois eu não aguentaria esperar para conhecer essa autora e essa história que pela sinopse tanto prometia. Passeio-o na frente de outros nove livros e comecei a leitura. Em pouco tempo já estava completamente absorvida, quando me dei por conta já estava na página 90. O livro é apaixonante! Um romance cheio de emoções e conflitos psicológicos nos fazendo viajar para o Ceilão e viver essa história junto aos personagens.

A forma de escrever de Dinah Jefferies é envolvente e cativante, sem rodeios e com descrição bem gostosa – sem ser cansativa e dando margem para nossa imaginação. A fazenda de chá onde a trama se desenrola se formou na minha imaginação de uma forma lúdica e cheirosa! Sim, ficava imaginando como aquela fazenda deveria ter um aroma gostoso de chás e senti falta de um capítulo em que a protagonista passeasse pela plantação de chá fazendo suas observações e descrevendo o cenário da colheita, dos cheiros e sensações.

A trama em si é rica e envolvente, trazendo fatos históricos como pano de fundo, como a guerra mundial e a queda da bolsa de 1929. Nesse cenário histórico de luta, os sentimentos retratados nos fazem refletir sobre as consequencias das escolhas, amores, sociedade, comportamentos, etnias e racismo. Também gostei muito da forma sutil que a autora mostra como uma pessoa atormentada, com medo ou ferida age se fechando para o mundo, adoecendo e causando tristezas e angústias a todos a sua volta. Uma ótima reflexão para compreensão.

Além disso, os medos, paixões, dúvidas, inseguranças, fatos e tormentos do passado, histórias familiares ocultadas que marcaram e direcionam as vidas são muito bem relatadas e descritas no livro criando um ar de suspense e incerteza sobre o desenrolar da trama, nos fazendo viver dentro da história. Até o final dessa bela obra ficamos esperando ansiosamente pelo deslinde de tantos fatos, que ao final vemos que estão interligados sendo que cada acontecimento é consequência do outro e que o amor é sempre o maior sentimento do mundo - quando está presente, nada está perdido e tudo ficará bem.

É impossível não se sentir parte da história e se regozijar com a redenção dos personagens, bem como com as curas emocionais dos tormentos e medos. É uma obra que nos faz refletir sobre a vida como um todo, é um passeio pelas emoções.

O livro é tão bom que eu fiquei querendo mais. Coloquei-me a pensar que o livro poderia aprofundar algumas histórias paralelas causando ainda mais emoção e imersão na história - como a história do bisavô de Laurence (que apenas é mencionada) e a história de Verity (irmã de Laurence) – que inclusive ficou um pouco evasiva e sem esclarecimentos que acho que enriqueceriam a trama.

Senti um pouco de falta daquele aprofundamento no passado x presente e as consequencias até os dias atuais. Ok, sei que esse é o estilo de Lucinda Riley (que eu super-recomendo, pois amo suas obras) mas... acredito que seria uma viagem mais completa. Adorei a escritora Dinah Jefferies e ela ganhou um lugar dentre as minhas favoritas.

Recomendo esse livro fascinante! Prepare-se para começar e não mais querer parar... é envolvente e apaixonante!

Boa leitura!!